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Tédio do tempo — Ida Vitale

Não mais êxtase no labirinto.

Pedra se é debaixo da pedra,

pedra, adormecida pedra.


Debaixo d’água, água,

um mar entre peixes,

voz, vontade

apenas de água.

Ar no ar,

na tormenta ou no mormaço.


E pó,

final da aventura

mutante pitagórica,

ao fundo do poço feroz

da meia-noite.

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