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Final — Fabián Casas

Este é o pátio onde fui criança.

As lajes se gastaram um pouco e as plantas

cresceram pelas fendas das paredes.

Na solidão da casa abandonada

tenho a terrível certeza de estar parado sobre um equívoco.

Nem tudo é tão duro, já sei;

mas convenhamos que esta falsidade

de tensionar os poemas com uma catástrofe

se converteu agora em minha segunda natureza.

Quando vejo as pessoa se beijando nas praças

não consigo deixar de acreditar num futuro

onde os únicos vestígios do amor

serão vídeos

pornográficos.

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