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NOVO!

POR PEDRO GONZAGA

Com os textos que publica no jornal quinzenalmente, e pena não serem diários, Pedro Gonzaga consegue um feito: é dos poucos autores de hoje que não se deixam pautar por esses dias que mais parecem um desfile do sanatório geral. E é assim, autodefinido um anacronista  - em pedrogonzaguês castiço, o que fala dos rumores que o tempo não logra de todo apagar - , que ele honra a mais fina tradição da crônica, a que faz do lirismo o material das suas bem traçadas. 

Antes Não Era Tarde são memórias, as de vinte, trinta anos, junto com as de ontem mesmo e as de agora de manhã. Estrepolias de criança, família, o exemplo sempre presente do pai. A praia, a escola, os amigos, os amores ingênuos que não excluem um projeto de safadeza com a Jane Fonda reprisada à exaustão nas madrugadas da TV aberta. Viagens com a banda pelas estradas da vida – todo o povo deveria ir aonde o artista está, se essa não fosse uma ilusão a ser perdida nas retas da BR-116. As histórias que o Pedro conta puxam fios que levam a muitas outras. Quase dá para dizer que cada uma poderia originar seu próprio livro. Em busca do tempo encontrado, a coleção.

Sendo Pedro Gonzaga um poeta juramentado, suas crônicas rimam com uma de suas crenças: a de que o riso e a poesia estão entre as poucas vitórias da nossa triste espécie. Uma reflexão que leva a tanta outras – não menos agridoces.

O verão é como a juventude: quente, sudorento, tempestuoso e obtuso.

Perder é um evento pontual da disputa, desistir é negar, de antemão, qualquer contenda, uma forma precoce de aposentadoria.

Mais que um mau decorador, o tempo parece montar grades de programação como ninguém.

Será sempre mais fácil compreender um devasso que um colecionador de tampinhas.

E etcetcetc.

Para que esta orelha não pareça obra de um dos personagens de Antes Não Era Tarde, o chato eterno, ficamos por aqui com os preâmbulos para permitir aos leitores do Pedro toda a luxúria dos finalmentes. Falando em chato, um conselho final para fugir de um dos mais onipresentes instrumentos de tortura da humanidade, o telemarketing. Basta seguir o manual pedrogonzaguiano de sobrevivência em tempos poucos sutis.

— O sr. Pedro se encontra?

— Não, converteu-se ao budismo e abandonou a vida mundana.

— Ele volta?

— Sim, como Chow Chow na próxima encarnação.

Tomara que seja como um Chow Chow cronista.

Claudia Tajes

© 2019 por Tainá Henn